
Uma rã se achava importante
Porque o rio passava nas suas margens.
O rio não teria grande importância para a rã
Porque era o rio que estava ao pé dela.
Pois Pois.
Para um artista aquele ramo de luz sobre uma lata
desterrada no canto de uma rua, talvez para um
fotógrafo, aquele pingo de sol na lata seja mais importante
do que o esplendor do sol nos oceanos.
Pois Pois.
Em Roma, o que mais me chamou a atençào foi um prédio
que ficava em frente das pombas.
O prédio era de estilo bizantino do século IX.
Colosso!
Mas eu achei as pombas mais importantes do que o prédio.
Agora, hoje, eu vi um sabiá pousado nas Cordilheiras dos Andes
Achei o sabiá mais importante do que a Cordilheira dos Andes.
O pessoal falou: seu olhar é distorcido.
Eu, por certo, não saberei medir a importância das coisas: alguém sabe?
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Assim como o Manoel de Barros, eu também não sei.
Quem dimensiona o tamanho e a importância de todas as coisas é o meu coração, e estamos (quase) sempre de pleno acordo.
Mas é bem provável que alguém considere o meu olhar distorcido.
Eu vejo nas banalidades do cotidiano encanto e importância maior do que nos grandes destaques do Jornal Nacional.
Reconhecer essas pequenas importâncias, não perder o encanto dos olhos e sustentar esse olhar enviesado é uma benção...