quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Adorável inquietude

(para Fabiano André)

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas sujeito que abre portas
que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva, etc, etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
(Manoel de Barros)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Prodígios da poesia - VI


"Sonhar é acordar-se para dentro. "
Mario Quintana

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aos românticos, um aceno


Hoje eu me supreendi com uma declaração, bem no meio da minha tarde, e a descoberta de um coração sensível. E resolvi, depois dessa conversa, algumas reflexões e outras insanidades, falar sobre o romantismo, próprio daqueles que primam pelo individualismo, pelo lirismo e pelo predomínio da sensibilidade e da imaginação sobre a razão. Que enfeita o mundo pelo subjetivismo, pela composição, pelo colorido, como meios de expressão de sentimentos e estados de alma.
Não me refiro aqui ao romantismo piegas (se é que é possível não ser), não precisamos ser ridiculamente sentimentais.
Atento para o romantismo que nos permite ver o mundo colorido, acreditar no colorido: das cintilâncias aos singelos tons, e valorizá-los. O romantismo que nos faz perceber beleza e importância nas coisas miúdas, e sonhar, muito e constantemente. Saber andar sem ter sempre os pés no chão.
Enfim, para todo mundo, um pouquinho de complexo de Dom Quixote não faria mal algum, e que chato seria o mundo se não fosse a magia e o brilho do olhares românticos.
E o olhar de hoje me salvou.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A sensatez me absurda*


Para quem não conhece o coração das palavras e a magia da poesia é inútil procurar respostas para compreender porque instantes falham.
E quem conhece nem procura razões, porque entende que apenas a poesia ilustra o inexplicável, além do que os olhos vêem, e conhece o cantinho onde as respostas repousam livres e alheias às nossas angústias.
Bobagem ficar procurando, tentando entender porque os instantes não se casam, as oportunidades se fragmentam como as coisas que foram ditas, os sonhos enviesados, planos insatisfeitos, o encontro irrealizado, ou o realizado pelo avesso.
O apego à sensatez é fonte de inquietude.
Para abrandar corações insones: doses delírio, que ajudarão no entendimento dos acontecimentos inexplicáveis, e das constantes tranformações que impulsionam o mundo, no movimento que nos faz cósmicos.
Tanto quanto a galáxia onde se dependura a lua, que sem nenhuma licença poética nada significa além de uma luz fria num corpo sem importância, desabitado de alma, mas que no desamparo da solidão, é o alento luminoso na nossa na janela, de onde partimos sem endereço ou destino, na imensidão do nosso desconhecimento.
E seguimos sem respostas, para os sonhos que se perdem através do tempo, imagens inescrutáveis, palavras inauditas, acontecimentos perecíveis, e principalmente para as ausências.
Pessoas vêm e vão, e endereços são inúteis, porque as pessoas não se perdem, os encontros verdadeiros apenas se transmutam, eternos como a rota circular do tempo...
Enfim, nessa noite esférica de pensamentos inconclusos e galáxias, em que ousei buscar resposta sem obtê-la, com esse meu desejo renitente de encontrar razões, me desato do desassossego, me insano de poesia, adormeço em remanso, e amanheço nem sei como...

* O título é frase do Manoel de Barros, sempre ele.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Era uma vez uma estrelinha


(para Daiane Bueno)

Ah... quanto mistério existe atrás daqueles olhinhos tão verdes.
E quanta ternura.
Se me fosse dada a oportunidade de escolher uma única palavra para defini-la, seria ternura.
Ninguém é tão doce quanto ela. E seu olhar, nítido como um girassol (que Fernando Pessoa me perdoe pelo plágio).
Tão pequenininha... mas capaz de grandes gestos.
Me salvou em muitos momentos desditosos e me acompanhou em viagens insólitas, por pura amizade, porque nunca acreditou na maioria delas, embora sentisse uma pontinha de satisfação pelos ares de aventura no azul do seu mundo tão perfeitinho. Uma pitadinha de pecado na alva e límpida ficha da filha do policial.
Ela ainda deve sorrir com a lembrança das fantásticas aventuras nas escadarias do Edifício Acapulco e os tamanquinhos de madeira.
Assim, penso que fui importante para ela, e que de certa forma também a salvei um pouquinho.
Muito da minha vida ela sabe, porque esteve comigo todo o tempo.
Um tempo de descobertas incríveis, onde o fantástico era permitido.
E da vida dela eu sei porque seus olhos não escondem seus segredos, não de mim, que aprendi decifrar os mistérios daquele coração através dos olhos.
Muito do amor e do meu entendimento sobre a amizade, tem a ver com amor que eu recebi dessa menina, que permanece como presença certa nos meus dias... e que continua a me salvar das intempéries e dos dias mais fastidiosos.
Do quarteto fantástico, ela foi minha grande adoração, a protagonista das lembranças de encanto e estrela constante nos caminhos do meu céu.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tempo de recomeçar


"Eu queria avançar para o começo", igual o Manoel de Barros.