De onde eles vêm? De que são feitos? Alguém sabe?
Tentei articular algumas vagas idéias... O resultado, logicamente, foi nenhuma conclusão, apenas algumas reflexões e um ou outro pensamento sem remate.
Sonhos não se explicam, e nem todos são manifestações involuntárias dos nossos momentos de vigília, são quimeras, devaneios, fantasias.
Talvez sejam da mesma matéria das nuvens, do brilho de estrela, do som do mar, da cor do amanhecer, do cheiro da chuva, da amplitude do horizonte, etc, etc, etc. E de tudo que é bonito e mágico.
Tem alguma coisa de mistério, e quando transcende o universo idílico e se realiza, passa para outro plano, deixa de ser sonho para se tornar realidade. E a realidade nem sempre é doce, apenas os sonhos são.
Os sonhos fazem a gente esquecer o peso da bagagem das ancestralidades machucadas.
O meu sonho, hoje, tem nome e sobrenome. E se tivesse cor, seria absolutamente azul, da cor do céu.
Um sonho grandão, e muito bonito. Tem alguma coisa de etéreo, de grandeza celestial.
Mas como é sonho, tem muito de poesia, de inatingível, de sublime encantamento.
De vez em quando, eu faço como o meu poeta matogrossense, e prendo o silêncio com uma fivela, só para ouvir a voz que ele tem, que eu identifico de imediato no meio de uma infinidade de outros sons, e que faço única nos meus ouvidos.
Se eu pudesse, eu guardaria esse meu sonho, e o levaria comigo para sempre. Mas os sonhos não nos pertence.
Na falta de outras ferramentas prodigiosas, para cultivá-lo, só me resta um carinho absoluto, e se se isso for suficiente, ele permacerá sempre vivo em mim, mesmo nos mais recônditos cantinhos do meu coração, que já nem sei mais se é assim tão meu.