domingo, 30 de novembro de 2008

Dica do dia


Instruções para se apaixonar:

Encha o peito com trezentos suspiros
Quando ele estiver levinho
Solte as amarras
e flutue.... *
------------------------------
*Texto extraído de um cartãozinho antigo, recebido em 1999, com uma declaração incerta escrita com letra de menino. As palavras dispersas naquele pedacinho colorido de papel encheu o domingo de saudade e ternura.
E a dica ainda é válida, e preciosa.

Para crescer

Eu não tenho...

Das nossas insanidades



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Palavras, palavras, palavras


Palavras, palavras, palavras....
Com a mesma inquietação do personagem de Shakespeare, às vezes penso em me despedir das palavras.
Porque muitas vezes elas tornam meus caminhos tão confusos. Consomem noites de insônia e verbo.
Me faz mergulhar num mar de ilações, onde invariavelmente naufrago sem encontrar soluções.
As palavras fazem chorar. Mas nos protege da saudade.
Através delas podemos chegar aos corações mais fechados e quase invioláveis, com ilusões vencidas e pactos apagados sem resposta.
Nem todas as coisas se rendem ao ponto e vírgula.
Enchi páginas de divagações, devaneios, amor e tédio. E hoje chego ao entendimento de que as apenas palavras não leva nos a lugar algum. Existem muitas outras ferramentas.
Em certos momentos, até o silêncio diz muito mais.
Talvez falte malícia, talvez falte leveza, para flanar além das inquietudes femininas.
Então, nesses momentos de sedição das palavras e disfunção lírica, viajo com meus sentimentos solitários nas asas do desassossego, e uma vez ou outra empresto dos poetas as palavras que eu não tenho.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Volver

Ao meu mais novo e querido amigo , que precisa recomeçar...



A arte de recomeçar...
Assim como o Manoel de Barros, às vezes a gente quer avançar para o começo.
Outras vezes, a gente nem quer, mas precisa, o mundo nos vê parados, e na lógica do universo os processos são dinâmicos, então ele nos impulsiona de alguma forma, para alguma direção. Independe da nossa vontade.
Mas como recomeçar?
Recomeços não são sempre fáceis, porque temos mania de eternidade, pensamento renitente no para sempre, passamos a vida acalentando sonhos que não têm fim. E quando o fim bate à nossa porta, o que fazer?
O vazio então se assoma em nós.
Mas recomeços são sublimes oportunidades, significam o novo, e tem o encanto de toda inexperiência...
Se eu soubesse uma fórmula de como não ceder território à dor e abreviar a angústia do destino incerto, eu já teria ensinado, para evitar seus olhares furtivos com a solidão, o desamparo do abandono e o jeito vago de quem perdeu o norte.
Mas com o meu pequeno entendimento sobre todas as coisas maiores, eu só posso oferecer a companhia nos primeiros passos desses caminhos sem lua, uma mão estendida e um sorriso, sem comiseração, apenas por carinho.

domingo, 9 de novembro de 2008

De que são feitos os sonhos?

Ah, os sonhos que a gente tem...
De onde eles vêm? De que são feitos? Alguém sabe?
Tentei articular algumas vagas idéias... O resultado, logicamente, foi nenhuma conclusão, apenas algumas reflexões e um ou outro pensamento sem remate.
Sonhos não se explicam, e nem todos são manifestações involuntárias dos nossos momentos de vigília, são quimeras, devaneios, fantasias.
Talvez sejam da mesma matéria das nuvens, do brilho de estrela, do som do mar, da cor do amanhecer, do cheiro da chuva, da amplitude do horizonte, etc, etc, etc. E de tudo que é bonito e mágico.
Tem alguma coisa de mistério, e quando transcende o universo idílico e se realiza, passa para outro plano, deixa de ser sonho para se tornar realidade. E a realidade nem sempre é doce, apenas os sonhos são.
Os sonhos fazem a gente esquecer o peso da bagagem das ancestralidades machucadas.
O meu sonho, hoje, tem nome e sobrenome. E se tivesse cor, seria absolutamente azul, da cor do céu.
Um sonho grandão, e muito bonito. Tem alguma coisa de etéreo, de grandeza celestial.
Mas como é sonho, tem muito de poesia, de inatingível, de sublime encantamento.
De vez em quando, eu faço como o meu poeta matogrossense, e prendo o silêncio com uma fivela, só para ouvir a voz que ele tem, que eu identifico de imediato no meio de uma infinidade de outros sons, e que faço única nos meus ouvidos.
Se eu pudesse, eu guardaria esse meu sonho, e o levaria comigo para sempre. Mas os sonhos não nos pertence.
Na falta de outras ferramentas prodigiosas, para cultivá-lo, só me resta um carinho absoluto, e se se isso for suficiente, ele permacerá sempre vivo em mim, mesmo nos mais recônditos cantinhos do meu coração, que já nem sei mais se é assim tão meu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O encanto díspar do universo feminino



Esse texto foi inspirado nas amigas: Janice, Adriane e Solange, mulheres guerreiras, que trabalham com o sorriso estampado no rosto mesmo nos dias de maior intempérie, e que sob qualquer estado do céu, tem sempre um pouquinho de ternura para quem precisar.


Dizem que existem pessoas que tentam entender as mulheres, e outras que preferem fazer alguma coisa mais simples na vida — como, por exemplo, ser cientista espacial ou amestrador de leões ou estudar física quântica.
Somos constantemente tachadas de complicadas, quando na verdade, em vez de esconder as mágoas e questionamentos existenciais debaixo do tapete – ou suá-las todas numa partida de futebol após o expediente –, preferimos exaurir nossas dúvidas, esgotá-las para que não fique resquício algum. Nossos humores são claros, translúcidos, não precisamos escondê-los para alimentar questões de gênero.
Não somos complicadas, somos complexas. E tudo isso porque temos o dom da eterna busca por viver com plenitude, a essência feminina se reinventa e se projeta todos os dias, em todas as situações, com a consciência de que não estamos aqui a passeio.Sabemos deixar nossa marca, e inocular o “vírus da vida real” em nossas crianças, sem deixar de apresentar um mundo colorido e fazer o horizonte caber dentro desses olhos pequenininhos. Emprestando como exemplo as mulheres de docilidade valente que me inspiraram a falar sobre o universo feminino, acredito que teremos sempre no mundo mais pessoas sabendo o que é o amor.
O mesmo amor que move o céu e as estrelas, e que nos salva a toda hora dos momentos mais fastidiosos.

domingo, 2 de novembro de 2008

O reizinho do mundo dos sonhos

Era uma vez um reizinho, um outro reizinho....
Tão adorável quanto aquele do ingênuo enleio, mas de coração muito maior e tímido e introspectivo, olhar ensimesmado, vago, enternecedor e de sublime lirismo.
Esse reizinho vivia num reino de pura fantasia e silêncios eloqüentes. Um reino onde o horizonte deita no chão, um território da cor verde dos nossos sonhos.
Mas esse universo idílico despertou a ira de outros reis, menos nobres, e até de alguns súditos que sonhavam em ser rei, como se isso fosse possível (eles não sabem que a nobreza está no coração de cada um, e não há golpe ou tirania que atribua a um coração cinza, altivez).
Eles reconhecem o destino do reizinho, e sabem que ele chegará onde os seus pés jamais alcançarão, e quantos territórios ele ainda conquistará com seu sorriso inocente, capaz de colorir o silêncio de uma noite.
Por tudo isso, Deus cercou o reizinho de toda proteção para que nenhum mal o alcance, e nenhuma sombra turve o seu céu, e deu o seu aval para que continuasse a agir por puro encanto.
Longe de qualquer perigo, e alheio às perversidades do mundo, ele mantém um candor que não cabe em qualquer espaço que não seja o infinito.
Com a sua docilidade cativante, e seus lampejos graciosos de menino, aprendi como conseguir a dissolvência e o desapego dos desejos egoístas que causam turbulência em nossos corações. E que não existe fórmula iniludível, só mesmo colocando a alma em cada pequena coisa é que se pode fazê-la encantadora.
A essência do reizinho é só amor, tanto, e de tal dimensão, que é responsável pela cor dos nossos céus.
Nessa simplicidade sem fim da ternura, quisera eu que ele caminhasse somente caminhos planos, sem percalços, na geografia iluminada e cintilante do seu mundo azul.