domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sobre nuvens, propósitos e renascimentos


(considerações em data de aniversário)


Nós vigiamos o dia.
E ainda que o horizonte seja um tédio contagiante, as nuvens sempre surgem nas formas mais surpreendentes, lanternas chinesas, carneirinhos, flores, golfinhos, saturnos...
As nuvens enfeitam o céu.
No entanto, muitas nuvens tornam o céu cinza, embora a cor nem sempre esteja no céu, mas nos olhos de quem perdeu os pontos cardeais, perdeu as contas de quanto tempo dedicou a olhar a linha de encontro entre céu e Terra... de quanto se tentou compreender onde o dia acabou e onde começa a noite.
Talvez muitas emoções sejam também assim, como nuvens, fumaças que se condensam em dias em que não há presente nem futuro.
De vez em quando, as nuvens se dissipam, deixando passagem ao azul, projetando alegrias, visitas, notícias, fazendo o dia crescer em tamanho, passando a significar algo no calendário além de uma segunda ou uma terça-feira...Porque esta contagem não passa de ilusão quando nada acontece...
É preciso que o dia amanheça, é preciso que a noite anoiteça e que o horizonte seja mais que um tédio contagiante numa paisagem delineada e sem mudanças...
Não pode se acostumar aos acontecimentos, embriagar-se em epifanias....Suportar silêncios.
É preciso que os dias arrebentem como uma onda gigante.
Eu também espero acontecimentos dignos, de datas que não passem em branco.
Espero transformar a rotina num passeio. Espero VIDA! Matéria-prima de quem não enxerga o tempo pela lente dos calendários inertes. Antes os caleidoscópios em movimentos incessantes, mosaico dos acontecimentos em horizontes lisérgicos ...Então, que o dia nasça de novo.
Eu renasci...